O humanismo português do século XVI, frequentemente eclipsado pela contrarreforma, revela uma faceta desconhecida através da "Corte das Mulheres", um círculo intelectual centrado na Infanta D. Maria. Este grupo, que incluía figuras como a poetisa Luísa Sigeia, desafiou normas sociais ao promover o acesso feminino à erudição, à escrita e ao debate político. A obra de André Canhoto Costa demonstra como estas mulheres, protegidas por uma rede de confidências, acolheram pensadores vanguardistas e influências italianas, num período marcado por tensões entre a liberdade intelectual e a censura inquisitorial. A discussão sublinha a desproteção jurídica da mulher na época, a violência das relações de poder e a transição para uma nova conceção de amor, que antecipa o romantismo, enquanto questiona o apagamento histórico destas vozes eruditas pela historiografia oficial e pela imposição das normas tridentinas.
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