A ditadura militar de Miguel Primo de Rivera em Espanha (1923-1930) emergiu num cenário de profunda instabilidade política, agravada pela crise económica do pós-guerra e pelo desastre militar de Anual em Marrocos. Este regime autoritário, apoiado pelo Rei Afonso XIII e por diversos setores conservadores, não se configurou como uma ditadura fascista totalitária, mantendo margens de controvérsia pública. O desgaste gradual do governo, provocado pela perda de apoio dos militares e da elite empresarial catalã, culminou na demissão e exílio de Primo de Rivera em 1930. A queda do ditador expôs o descrédito do monarca, cuja associação a manobras de ocultação de responsabilidades no desastre marroquino acelerou o isolamento da coroa e a transição definitiva para a Segunda República espanhola em 1931, marcando um período de transição complexo e fundamental para compreender a história ibérica contemporânea.
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