O livro "Sabedoria do Convento: Como as freiras do século XVI podem salvar a tua vida do século XXI", de Ana Garriga e Carmen Urbita, propõe uma releitura da clausura feminina como um espaço de autonomia, criação e resistência política. Longe de um apelo ao isolamento, a obra extrai estratégias de sobrevivência e sociabilidade coletiva de mulheres dos séculos XVI e XVII para enfrentar os desafios contemporâneos, como a precariedade laboral e a rigidez das hierarquias corporativas. Através de figuras como Juana Palácios Berruecos, que espelha a frustração profissional moderna, e Joana Esperança de San Alberto, que exemplifica o cuidado mútuo no envelhecimento, as autoras demonstram como o conhecimento marginal e a escrita epistolar oferecem ferramentas de fuga e reflexão. O convento funciona, assim, como uma metáfora portátil para repensar o presente e encontrar novas formas de resistência coletiva.
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