O equilíbrio entre a vigilância parental e o respeito à privacidade infantil define o desenvolvimento saudável na era digital. A psicanalista Marília Velano destaca que o uso de telas exige mediação, priorizando atividades que estimulem a criatividade em vez do consumo passivo e algorítmico. A adolescência, caracterizada por uma decepção existencial necessária, demanda que os pais sobrevivam a esse processo sem sufocar a autonomia dos filhos. Em vez de espionagem, como a leitura de diários, a presença atenta e o diálogo sobre medos e projetos — mesmo que mirabolantes — fortalecem a capacidade de elaboração psíquica. O isolamento digital e a falta de esperança são sinais de alerta, enquanto a busca por grupos de pares e a construção de uma identidade própria são fundamentais para que o jovem se sinta real e capaz de enfrentar as complexidades do mundo adulto.
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