Uma escatologia política: do mal à emancipação. Conversa com Tiago Mota Saraiva
Enterrados no Jardim
A habitação em Portugal reflete uma crise estrutural onde o mercado imobiliário, capturado por interesses financeiros globais, prioriza o valor de troca em detrimento do direito fundamental ao uso. A construção em massa não resolve a escassez, pois as casas funcionam como ativos especulativos que permanecem vazios para inflacionar preços. O debate estende-se à fragilidade das infraestruturas digitais e elétricas, revelando uma dependência perigosa face a entidades externas e a uma gestão tecnocrática que ignora necessidades humanas. A política atual, marcada por uma moderação estéril e pela colonização do discurso pela meritocracia, falha em mobilizar a população. É urgente recuperar a radicalidade política e a auto-organização comunitária, combatendo a autolimitação social e identificando claramente os inimigos estruturais que impedem a emancipação coletiva e a dignidade habitacional.
Part 1: Crise, Infraestrutura, Gestão
Part 2: Habitação, Especulação, Capital
Part 3: Política, Marginalização, Segregação
Part 4: Estratégia, Tempo, Emancipação
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