
A sucessão do Secretário-Geral das Nações Unidas ocorre num contexto de apatia mediática e declínio da relevância da instituição perante um Conselho de Segurança disfuncional, preso a uma lógica de poder de 1946. Paulo Portas, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, analisa como a organização tem falhado na mediação de conflitos globais, como na Ucrânia, enquanto potências nucleares ignoram o multilateralismo em favor de uma política de força. Embora agências como a FAO e a OMS mantenham funções essenciais, a ausência de candidatos de peso capazes de impulsionar reformas profundas e superar vetos geopolíticos sinaliza um futuro incerto. O mandato de António Guterres, marcado por um ambiente global turbulento e pela falta de margem de manobra, reflete a dificuldade de gerir uma estrutura pesada num mundo onde a influência é medida por ogivas nucleares e não por consensos diplomáticos.
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